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Custo de burnout: como calcular.

Burnout não é tema de RH. É uma linha do resultado — fragmentada em quatro contas que ninguém soma. Aqui está a soma, e a fórmula.

Método 9 min de leitura Maio de 2026

Um CFO sabe o custo da matéria-prima, da energia, do frete. Não sabe o custo do burnout — não por descaso, mas por arquitetura contábil. Ele existe, é grande, e está partido em quatro contas: afastamento, produtividade, rotatividade, retrabalho. Nenhuma é somada. Cada uma sangra de um lugar diferente do resultado e responde a uma intervenção diferente.

As quatro camadas

A âncora — o CTC

Toda conta de pessoas precisa de uma âncora. A nossa é o CTC — Custo Total do Colaborador: salário mais encargos, benefícios, provisões e a infraestrutura da cadeira. No Brasil, 1,5 a 1,8 vez o salário bruto.

Consequência direta: calcular o custo do burnout sobre o salário, e não sobre o CTC, subestima o resultado em quase metade. A âncora errada não dá um número impreciso — dá um número errado.

A fórmula

Custo anual de burnout
Custo = C₁ + C₂ + C₃ + C₄

C₁ afastamento  = dias perdidos × CTC diário
C₂ presenteísmo  = headcount em risco × CTC × queda de produtividade
C₃ rotatividade  = desligamentos atribuíveis × CTC × multiplicador de substituição
C₄ retrabalho   = horas reprocessadas × CTC/hora
Cada variável tem origem. Dias e desligamentos vêm do RH. CTC vem da folha. Headcount em risco e queda de produtividade vêm do score psicossocial. Nenhuma é chutada.

Um exemplo auditável

Operação de 500 pessoas, CTC médio anual de R$ 90 mil — números ilustrativos, na ordem de grandeza de uma média empresa brasileira. O diagnóstico psicossocial aponta 18% da força em risco alto: 90 pessoas.

CamadaContaCusto/ano
C₁ Afastamento90 pessoas × 9 dias extras × (R$ 90 mil ÷ 220 dias úteis)R$ 331 mil
C₂ Presenteísmo90 pessoas × R$ 90 mil × 25% de quedaR$ 2,02 mi
C₃ Rotatividade6 desligamentos atribuíveis × R$ 90 mil × 1,0R$ 540 mil
C₄ Retrabalho~2.200 horas reprocessadas × CTC/horaR$ 200 mil
TotalCusto anual de burnoutR$ 3,1 mi

Numa folha anual de R$ 45 milhões, são quase 7% do custo de pessoas — invisíveis porque nunca aparecem juntos. E uma camada domina: o presenteísmo sozinho é seis vezes o afastamento. Exatamente a parte que ninguém mede, porque não há atestado para ela.

Por que "auditável" importa

Um número de custo de burnout só sobrevive a uma reunião de orçamento se cada parcela for rastreável até uma fonte. "Acho que perdemos uns milhões" cai na primeira pergunta. "Perdemos R$ 3,1 milhões, R$ 2 milhões deles em presenteísmo, medido sobre 90 pessoas em risco alto identificadas pelo COPSOQ III, custeadas pelo CTC da folha" — não cai.

A diferença entre os dois não é o tamanho do número. É a origem dele.

O Método Tabular Viva

Do fator psicossocial ao número em reais

O Método mede os fatores psicossociais com o COPSOQ III, converte cada fator num multiplicador de erosão e os consolida com um modelo multiplicativo — fatores de risco não somam, se compõem. O resultado é traduzido em R$ pelo CTC. Diagnóstico → multiplicador → impacto financeiro, auditável em cada passo.

O que fazer com o número

Custo medido é custo gerenciável — e cada camada responde a uma alavanca distinta: afastamento responde a saúde; presenteísmo, a carga e autonomia; rotatividade, a liderança. Saber qual camada domina é o que separa orçamento de bem-estar genérico de decisão de alocação.

Burnout não é um tema sensível. É uma linha do resultado que ninguém imprime. A diferença entre a empresa que gere isso e a que não gere não é sensibilidade — é aritmética.

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