Projeção de inércia: o custo de não agir.
Risco psicossocial não é estático — degrada por juros compostos. Adiar a intervenção em 12 meses não custa 12× o mês atual: custa muito mais. Aqui está a fórmula da inércia e o ponto de virada da decisão.
A pergunta que paralisa um comitê é "agora ou no próximo trimestre?". A intuição diz que adiar custa o equivalente ao mês atual vezes a quantidade de meses. A matemática da inércia psicossocial diz outra coisa.
Risco psicossocial não permanece no patamar medido. Ele degrada. E degrada em composição — cada mês de inação aumenta a probabilidade de o mês seguinte degradar mais. O custo de adiar não é linear.
A fórmula da inércia
onde P₀ = perda mensal atual (R$/mês)
r = taxa de degradação mensal (~1,5% a 3% típico)
t = meses de inação
Custo acumulado C(T) = Σ P(t), t = 0 a T
Três horizontes — a tabela
Tome uma operação com perda mensal atual de R$ 250 mil (CTC × headcount em risco × queda de produtividade) e taxa de degradação r = 2%/mês — número conservador para operações em "atenção". Compare três horizontes:
| Horizonte | Custo simples (× 12) | Custo composto |
|---|---|---|
| 12 meses | R$ 3,00 mi | R$ 3,35 mi |
| 24 meses | R$ 6,00 mi | R$ 7,57 mi |
| 36 meses | R$ 9,00 mi | R$ 13,02 mi |
Aos 36 meses, a inércia cobra 45% a mais que a aritmética linear sugere. E esse é o cenário conservador — operações em risco alto têm r entre 3% e 5%/mês, o que dobra a diferença.
A banda de confiança
A projeção não é determinística — é uma curva com banda. O Método aplica análise ARIMA sobre o histórico do diagnóstico e gera P50 (cenário central), P25 (otimista) e P75 (pessimista). Decisão de C-Level lê os três:
- P50 — o número que vai no orçamento.
- P25 — o "se tudo melhorar sozinho" (raro, mas existe).
- P75 — o stress test que defende a urgência da intervenção.
O ponto de virada
A pergunta operacional não é "quanto custa não agir" — é "quando agir custa menos que esperar". O ponto de virada é o mês t* em que o custo acumulado da inércia ultrapassa o custo da intervenção.
onde I = custo total da intervenção
Por que o cérebro erra aqui
Decisões de não-agir parecem "neutras" — não geram caixa imediato. Mas elas têm custo, e o custo é composto. O viés cognitivo se chama status quo bias: a preferência por inação mesmo quando a aritmética prova prejuízo crescente. Um número composto na mesa do CFO derrota o viés.
Da exposição atual à projeção composta
O Método mede P₀ pelo diagnóstico (COPSOQ III + CTC), estima r pela degradação histórica do score, aplica ARIMA pra gerar a banda de confiança e calcula t* dado o custo da intervenção candidata. Tudo auditável, defensável em comitê. Inércia vira número.
O que perguntar antes da próxima reunião
- Qual é a perda mensal atual? (Não dá pra projetar sem o P₀.)
- Qual é a taxa de degradação observada nos últimos 6-12 meses?
- Quanto custa a intervenção candidata que está na mesa?
- Em quantos meses essas três respostas se cruzam? Esse é t* — e ele decide a reunião.
Não agir tem custo. A diferença entre uma decisão e uma omissão é só uma coisa: a primeira sabe que está pagando.
Qual é o seu ponto de virada?
O diagnóstico gratuito projeta inércia em 12/24/36 meses com banda de confiança e identifica t* para a sua operação.
Fazer o diagnóstico →