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Projeção

Projeção de inércia: o custo de não agir.

Risco psicossocial não é estático — degrada por juros compostos. Adiar a intervenção em 12 meses não custa 12× o mês atual: custa muito mais. Aqui está a fórmula da inércia e o ponto de virada da decisão.

Projeção 9 min de leitura Maio de 2026

A pergunta que paralisa um comitê é "agora ou no próximo trimestre?". A intuição diz que adiar custa o equivalente ao mês atual vezes a quantidade de meses. A matemática da inércia psicossocial diz outra coisa.

Risco psicossocial não permanece no patamar medido. Ele degrada. E degrada em composição — cada mês de inação aumenta a probabilidade de o mês seguinte degradar mais. O custo de adiar não é linear.

A fórmula da inércia

Projeção de custo psicossocial
P(t) = P₀ × (1 + r)t

onde P₀ = perda mensal atual (R$/mês)
r = taxa de degradação mensal (~1,5% a 3% típico)
t = meses de inação

Custo acumulado  C(T) = Σ P(t), t = 0 a T
Por que composto. Cada mês de inação aumenta levemente a probabilidade de afastamento, rotatividade e erro no mês seguinte. A degradação se acumula como juros — não como soma. A taxa r sai do histórico do diagnóstico e da análise ARIMA do score por trimestre.

Três horizontes — a tabela

Tome uma operação com perda mensal atual de R$ 250 mil (CTC × headcount em risco × queda de produtividade) e taxa de degradação r = 2%/mês — número conservador para operações em "atenção". Compare três horizontes:

HorizonteCusto simples (× 12)Custo composto
12 mesesR$ 3,00 miR$ 3,35 mi
24 mesesR$ 6,00 miR$ 7,57 mi
36 mesesR$ 9,00 miR$ 13,02 mi

Aos 36 meses, a inércia cobra 45% a mais que a aritmética linear sugere. E esse é o cenário conservador — operações em risco alto têm r entre 3% e 5%/mês, o que dobra a diferença.

A banda de confiança

A projeção não é determinística — é uma curva com banda. O Método aplica análise ARIMA sobre o histórico do diagnóstico e gera P50 (cenário central), P25 (otimista) e P75 (pessimista). Decisão de C-Level lê os três:

O ponto de virada

A pergunta operacional não é "quanto custa não agir" — é "quando agir custa menos que esperar". O ponto de virada é o mês t* em que o custo acumulado da inércia ultrapassa o custo da intervenção.

Ponto de virada
t*  =  menor t tal que  C(t) ≥ I

onde I = custo total da intervenção
Para uma intervenção típica de R$ 1,5 mi numa operação com perda mensal de R$ 250 mil e r = 2%, t* = 5 meses. Significa: se a empresa adia mais que 5 meses, a inércia já pagou a intervenção só com a degradação.

Por que o cérebro erra aqui

Decisões de não-agir parecem "neutras" — não geram caixa imediato. Mas elas têm custo, e o custo é composto. O viés cognitivo se chama status quo bias: a preferência por inação mesmo quando a aritmética prova prejuízo crescente. Um número composto na mesa do CFO derrota o viés.

O Método Tabular Viva

Da exposição atual à projeção composta

O Método mede P₀ pelo diagnóstico (COPSOQ III + CTC), estima r pela degradação histórica do score, aplica ARIMA pra gerar a banda de confiança e calcula t* dado o custo da intervenção candidata. Tudo auditável, defensável em comitê. Inércia vira número.

O que perguntar antes da próxima reunião

  1. Qual é a perda mensal atual? (Não dá pra projetar sem o P₀.)
  2. Qual é a taxa de degradação observada nos últimos 6-12 meses?
  3. Quanto custa a intervenção candidata que está na mesa?
  4. Em quantos meses essas três respostas se cruzam? Esse é t* — e ele decide a reunião.

Não agir tem custo. A diferença entre uma decisão e uma omissão é só uma coisa: a primeira sabe que está pagando.

Qual é o seu ponto de virada?

O diagnóstico gratuito projeta inércia em 12/24/36 meses com banda de confiança e identifica t* para a sua operação.

Fazer o diagnóstico →